sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

VAMPIRO CHOCÓLATRA

Baile à fantasia. Andréa estava frustrada. Esperava impaciente por Daniel, que estava muito atrasado. Ele sempre teve a deliciosa fama de tarado depravado, e ela estava louca pra ‘espanar o pó’, mas, mesmo depois de quatro semanas de namoro, ainda não haviam invadido o sinal vermelho! E ela não podia tomar a iniciativa, gostava de bancar a virgem impoluta. O rapaz, no entanto, sequer demonstrava interesse em ‘algo mais’. Andrea condoia-se. Sabia que estava faltando algo, mas não sabia o quê. Seria culpa dela? Uma ex dele, disse, certa vez, que Daniel era um vampiro chocólatra. Andréa, entretanto, não entendeu a metáfora. Desesperada, decidiu fantasiar-se de Suflair, pra ver se, pelo menos, levava uma mordidinha. Mas ela se sentia péssima naquela fantasia quadrada e marrom. Queria mesmo era ir de vagaba escandalosa. Tão mais divertido! - suspirou.
A campainha tocou, bem fraca, quase broxando. Andréa atendeu ganindo. Levou um susto, Daniel estava de vampiro! O susto dele foi maior ao vê-la de tijolo. Eu sou um chocolate Suflair, pronto pra ser provado, seu imbecil! O clima esfriou. O vampiro não reagiu: frio, lívido, inerte. Ela arrancou a fantasia e desistiu da festa. Pra quê fantasia se não há fantasia? Desanimado, ele sentou no sofá pra ver tevê. Ela voltou, agora de colegial. Ele baixou a vista. Ela refugiou-se na cozinha. Ele a seguiu. Ela estava uma fera!
Na bancada, Andrea tomava sorvete e o ignorava. Fodam-se as calorias – pensou. - Preciso de prazer, já – e pegou uma imensa garrafa de calda de chocolate. Aos rodopios, a calda espirrou na sua mão. O vampiro despertou ao ver o ‘sangue’. Então, ela sentiu uma língua quente insinuar-se entre seus dedos. O vampiro a cercava, e não dava chance de reação. Ele estava com sede! Ela melou mais os dedos e os levou ao pescoço. Lambidas, mordiscadas e chupões. Indefesa e abocanhada, Andréa adocicou os lábios, recebendo um longo e demorado beijo felino. Fraca tentativa de resistência. Desastrada, deixou alguns pingos caírem sobre os seios e... Ihááááá! Estrelas e fogos de artifício! O vampiro e a estaca! E, opa! Sem querer, a estabanada derramou metade da calda da garrafa na calcinha...
O telefone tocou, deviam ser os amigos chamando pra festa. Sair de casa? Nem pensar! A festança mal tinha começado, e ela estava louca, com a fantasia que Andréa mais queria: a de virgem impoluta indo ao baile à fantasia!

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